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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu estava ali, deitado no sofá do terraço, esperando. Como não podia fazer mais nada além disso, acabei tentando arranjar alguma diversão que não me obrigasse a sair da posição budista vulgarmente conhecida como “Buda espera o carro que não chega nunca”. Primeiro ensaiei algumas reclamações básicas sobre o clima, o dia, mas como isso não funcionou, tentei apelar para divagações existenciais ridículas e precárias. Cheguei então a uma conclusão interessante, ainda que besta: “esperar é ser obrigado a não fazer nada”.

É assim: se você está esperando alguém, suas ações começam a ser pensadas e pesadas a partir dessa situação. Por mais que o outro lado esteja uma hora e meia atrasado, qualquer decisão que não seja continuar esperando pode atrapalhar tudo. Por exemplo, se você decide ir dormir enquanto a pessoa não chega, vai para a cama pensando “Porra, mas e se ele chegar, me chamar e eu não ouvir? Ou pior, se disserem que eu não estou em casa?”; se você decide ir ali no padeiro da esquina comprar umas besteiras, logo começa a criar um roteiro de desencontro mirabolante, que envolve telefonemas, decepções e um pão de ontem; se vai tomar água, engole tudo rápido, já que é feio deixar alguém te chamando na porta da sua casa, principalmente no sol quente. O compromisso da espera está lá e você tem de honrá-lo.

Mas ai desisti e vim escrever. Acabei lembrando do Fassbinder e do seu filme simpático “Beware of the holy whore”.